domingo, 5 de abril de 2009

- desejo -

Nos olhos o desejo
perfura e machuca
Tanta voracidade só pode me ter como um alvo atropelado no meio de uma rota desgovernada
Não quero estar no meio do caminho
Do desejo que sai de qualquer coisa
E vai para lugar qualquer
Seria eu uma máscara sem rosto?
Ou um depositário de desejo errante?
Esquivo-me, quando na verdade queria me entregar pleno
Não é você
É só a sua abordagem que é igual à minha quando estou desgovernado
Sem ser soberano de mim mesmo
Des-coroado
Desconsagrado
Aviltado
Por mim mesmo, obviamente, e pela errância dos desejos meu e seus
Não agüentaria mais isso, não fosse a impossibilidade de me retirar do campo
Permaneço alvo de flechas perdidas
Lançadas por arqueiros que – como eu, ou pior que eu – não sabem o que fazem
E matam.
E morrem.

domingo, 22 de março de 2009

easy, breezy and beautiful in contemporaneity

Where has my patience gone?
Where has my ability to deal with frustration gone?
Everything's long gone
and yet I am more resilient
But was life worse and in being worse made those things seem less frustrating
or was it just me that changed?
Have I become more contemporary and likewise unable to deal with expectation
or have I become sick at heart?
Have the heights become less attractive
or is it leaping that has lost its attractiveness?
When did I stop falling?
Falling in love?
Falling out?
Falling for something?
Was it the moment I landed?
Have I landed?
And - if so - am I dead?
MAYBE I'm a phantom
and that would explain the easiness, the breezyness and beautifulness that surround me lately

But is it really so?
Is it possible to remain easy, breezy and beautiful permanently?
If even the seasons change
If even the trees lose their leaves
Isn't it only natural that we lose it too?
And I think I've lost it.
And perhaps the easiness is due to having nothing left.
Nothing left.
I am empty.
But there's also the anxiety.
That's never really left me.
I might have become the anxiety, since it's everything that is left.
But it's not killing me either: as I said before, I am a lot more resilient
Anyway
I spent a week being easy, breezy and beautiful and i was sucessful in that
and it might be that winter has come
in this contemporary era seasons come and go a lot faster than they used to
so I'll go with the flow
...and all because of a kiss!
Just because I've lost my ability of being patient.
But resilient.
Tomorrow I'll be ok.
Tomorrow it is spring.

quinta-feira, 19 de março de 2009

O exercício da contrariedade

Só porque eu disse no último post que eu não escrevia quando estava me sentindo bem, vou aproveitar para exercitar a contrariedade - vale a pena, sabe?

EASY, BREEZY AND - most importantly - BEAUTIFUL!

É só o que eu quero, no momento.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A vida em mosaico

Todo show foi feito para ser visto. O palco é um lugar para ser visto e é por isso que - geralmente - os shows acontecem em palcos.
Não deve ser novidade nenhuma, no entanto, que sempre foi bem difícil para aqueles que não tem 2 metros de altura, assistir a shows: sempre tem mil cabeças na sua frente e você tem que ficar tentando ver o show por entre crânios, levantando na ponta dos pés, etc.
Qual não é minha indignação ao ir a shows, hoje em dia, e existir, além das cabeças, o dobro de braços levantados - 2 para cada cabeça (em geral) - segurando celulares e câmeras.
O que já era difícil ficou impossível. E se já não fosse terrível ter que acompanhar o show pelo telão, agora os acompanhamos por telinhas. Milhares de telinhas na sua frente, formando um mosaico do que acontece lá na frente.
Isso me lembra aquelas hordas de turistas japoneses que não param de tirar fotos por 1 segundo. Acho tão estranho. Quando estou num lugar diferente gosto de experienciá-lo. Vivê-lo. Respirá-lo. Olhá-lo. Não gosto nem de usar meus óculos, porque as lentes interferem na minha absorção do entorno. Não gosto, tampouco, de vê-los através das lentes de uma câmera.
Claro que o frisson por fotografias não tem um motivo único. Mais importante do que sofrer uma experiência é provar que a sofreu - para muitos, não para mim. Daí a importância de passar um show inteiro segurando uma câmera com os braços levantados, sem de fato aproveitá-lo. São tantas as fotos no orkut de pessoas se divertindo, mas eu não consigo evitar pensar que se as pessoas estivessem realmente se divertindo elas não se lembrariam de parar para tirar fotos. Eu, por exemplo, nunca quero escrever quando estou me divertindo.
Mas enfim. Até desisti de ir ver Radiohead. O show será transmitido ao vivo pela tv a cabo e a tela da minha TV é maior que qualquer tela de celular já inventado. Eu - velho e chato - vou ver o show da minha poltrona, porque eu de fato quero VER o show.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Ainda a cabeleira do Zezé? Jura?

Espanto para muitos me verem em blocos de carnaval. Me perguntam "Mas você não disse que não gostava de carnaval?" e a resposta continua a mesma: "Não gosto". Mas, melhor do que passar 5 dias com calor, em casa, sozinho, é passar 5 dias com calor acompanhado.
No entanto, apesar do prazer de ver os amigos e das divertidíssimas fantasias, a música dessa festividade me é extremamente incômoda.
Não gosto do som de coisa velha. Não gosto de idéias velhas. Não gosto de mentes fossilizadas numa idolatria ao passado - e é isso tudo que eu vejo no carnaval do Rio de Janeiro.
Quando será que vão parar de se indagar sobre a cabeleira do Zezé e entender que ele devia ser bicha mesmo e que ninguém liga mais? Será que ninguém lembra que hoje também os homens tem cabelo comprido e isso não significa nada relativo à sexualidade deles? Até quando vão pedir mamá pra mamãe? Será que ninguém cresce e sai desse ÉDIPO mal-resolvido? E a pobre da Maria que é sapatão e de noite é João. Who gives a fuck?
A questão é que repetir mantras de um passado em que todas essas questões eram ironizadas - por serem transgressoras e polêmicas na época - talvez represente que nas cabeças das pessoas de hoje a realidade é a mesma de antigamente e ainda existe a homofobia arraigada no pensamento brasileiro. Ou será possível separar significante e significado quando se canta?
Eu não consigo. Pode ser inabilidade ou chatice minha. Mas ao ouvir coros e multidões cantando que o zezé é bicha, que a maria é sapatão e que todos querem mamar na mamãe, não posso evitar ficar um pouco enojado com o mar de significantes-significados grosso, velho e poluente como petróleo em que as pessoas vivem.
Ainda vivemos numa sociedade antiquada, com valores de outrora e um machismo periclitante e alarmante que passa entre homens e mulheres - e desses para seus filhos - de maneira automática e imperceptível - para eles.
Enquanto isso durar, eu posso continuar saindo e encontrando meus amigos no Carnaval. Porém, ao me perguntarem se eu gosto dessa festa a resposta continuará sendo curta e grossa - NÃO.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Bananas is my business


Sucesso é possível, mas nunca satisfatório.
Hoje, Carmen Miranda completaria 100 anos.
Um link para uma breve biografia:
http://br.noticias.yahoo.com/s/09022009/40/entretenimento-carmen-miranda-fragil-mulher-escondida.html

Casou-se com o único homem que lhe pediu em casamento, alguém envolvido com o show business. Para os outros homens Carmen era demasiadamente exótica, um personagem exageradamente irreal para ser mulher - só podia ser Carmen.
Condenada ao limbo de sua personagem, não era portuguesa (sua terra natal), não era brasileira e tampouco americana.
Fez progressos incríveis no inglês, mas teve que manter o sotaque para poder continuar vendendo sua personagem.
Tentou pedir outros papéis, mas só lhe concederam 1 papel diferente, num filme em que ela também tinha que interpretar sua velha máscara.
Morreu aos 46 anos, dependente de anfetaminas e soníferos, infeliz.

Lembro de muitos outros exemplos. Marilyn Monroe era outra que vendia uma imagem de sedução, exuberância e sexualidade. Entretanto, no fundo, ela era absolutamente carente e queria desesperadamente alguma segurança emocional.

Não consigo evitar pensar no porquê de alguém - marilyns ou carmens - sujeitarem-se a serem tela em branco para as projeções de desejos da massa, sua necessidade de mitos. Que necessidade é essa de serem vistas como exuberantes, leves e felizes quando a realidade era o oposto? Será que não havia a possibilidade de serem aplaudidas pelo caos, drama e complexidade que eram? Nem todas as mulheres de Hollywood eram doces como Marilyn, nem exóticas e explosivas como Carmen.
Talvez hoje em dias as coisas tenham mudado UM POUCO. Temos Toris, Fionas, Björks, Shirleys, Beths - todas cantando as inglórias e infortúnios de serem quem são. E sendo aplaudidas e amadas por isso.
E todas elas tem um pedacinho de carmen e marilyn. Não poderia ser diferente.

Mas Carmen... da próxima vez que tal usar um chapéu com suas mil lágrimas?

sábado, 17 de janeiro de 2009

i and I

i is hopelessly alone.
you is together.
he is together.
she is together.
it is together.
we is together.
they is together.
i was never a we. i was always i.
we has been a we. but i, no... not he.
i gets sad with that. i is irrevocably frozen into an isolated form, with a small dot right above it, to remember him to focus on the higher levels of existence. that's how i worships the gods. and separates itself from mankind.
i is always alone.
I am like i.
I am always alone. Very often lonely.
Even when I'm a we.
Even when I'm a they.
A he.
A she.
An it.
It doesn't matter.
i doesn't matter.
I don't matter either.
I plan on searching for i. I'll go wherever i takes me. And that means that I will be apart from you.


oceans of distance.


Just like now.
Just as usual.
Nothing ever changes.
Everything is already set from the very beginning.
I have to begin my journey for i.
there i goes.
and there I go.