sábado, 2 de agosto de 2008

barba, cabelo, bigode e vida

Fiz a barba de um jeito novo, pra ver se a vida mudava junto
Não adiantou
Cortei o cabelo
Não adiantou
Mudei de roupa
Comprei novos sapatos
pra ver se o novo solado me ajudava a trilhar novos caminhos
Não adiantou
Andei por aí sem rumo para ver se achava alguma coisa
Não achei
Achei só perguntas e questões e daí conversei com pessoas pra ver se alguém tinha uma solução
Ninguém tinha
Me calei e continuei andando
Continuo andando
Continuo meio calado
Me mudei de casa
Mudei de emprego
Mudei de amigos
Mudei de amor
Me dei um gato
Não adiantou
Continuo andando
e minhas solas, elas já estão gastas
Eu preciso comprar novos sapatos
Mas eu páro e me pergunto "Por quê, já que eles não vão me levar a lugar nenhum?"
Ando em círculos
Ao redor de mim mesmo
Ouço echos
E daí eu não compro os sapatos
Nem lembro de sapatos
Nem de barba
E obviamente não vou a lugar nenhum
Daí não adianta mesmo
Mesmo.

6 comentários:

Unknown disse...

O Di... É claro que me lembro de vc!!!!
Pode deixar que sempre que puder estarei por aqui... tá lindo o blog!!!

Beijinhos e vamos ver onde é que essa estrada vai nos levar

Sue...

Urania disse...

Engraçado... Acho que acabei de escrever movida por esse mesmo sentimento...

Depois vai ler... "A busca".
beijos

Anônimo disse...

Pow c acaba de descrever com maestria a base de raciocínio do ser humano moderno haueheueh

Felipe disse...

Mas a parada é essa aí rappá. A gente vai levando essa vida aí sabe qualé? A gente tá nessa guerra aí irmão! Aí eu falo pra tu: segue teu caminho irmão! O caminho é esse aí valeu. Tá todo mundo no mermu barco, tá ligado? O bagulho é esse aí. É só num enfraquecê a parada, num quebrá a correnti, fazê tudo certinho

Felipe disse...

Descartes fagocitou Pitágoras dentro de seu plano. Quando eu não tenho pra onde ir fico rodando em círculos, literalmente, no centro da cidade que é o lugar que eu mais gosto nesse mundo. Depois, sem parar de andar, me detenho: "ja passei por essa rua várias vezes, vou embora pra casa". Um dia descobri no Descartes matemático o filósofo: "é que o plano cartesiano é uma circunferência delimitada por um círculo com a tangente no infinito". Não quer dizer nada. Porque não se tem aonde ir. Eu gosto da sensação uterina desse círculo. Mas pra voltar pra casa é só lembrar disso: a esquerda é o contrário da direita, e vice-versa. Eu sempre cheguei em casa. Só pensei na furo na sola das minhas botas quando não tinha mais dinheiro pra trocá-las.Talvez o problema seja esse: como o dinheiro capitalizamos toda uma vitalidade e depois acabamos como burgueses entediados.

Anônimo disse...

cara... simples e profundo. muito. como disseram anteriormente, você descreveu com maestria o comportamento do ser humano moderno! rs

escrevi algo que tem a ver esses dias:

"centro

a vida passa, mas a lua é sempre a mesma. todos passam pela vida: buscando, partindo, chegando, bebendo, sorrindo, tomando ecstasy, lsd, vodka, dançando, crendo, estudando, trabalhando, orkutando, telefonando, brigando, trepando, cagando, comprando, tatuando, viajando, lendo, não entendendo nada, fumando, entendendo tudo, necessitando, almoçando, namorando, navegando, ando, ando, ando, ad infinitum. você mesma está passando pela vida, sem parar. nem dormindo você pára - sabe, né? aqueles sonhos, aquelas coisas estranhas durante a noite, o corpo paralisado, a mente em movimento. enfim, tudo isso aí.

a vida indo e vindo, você tentando alcançá-la, acha que a vida é sempre um passo à frente, tenta sempre acompanhá-la. por isso não dá nunca pra parar, sentar e ser feliz. é obrigada a dar sempre mais um passo, e, dando mais um passo, a vida dá outro. você mais outro, a vida mais um. você não vê maneira de fazer com que você e a vida ocupem o mesmo espaço, ao mesmo tempo. acha que isso seria a felicidade. isso sim seria a plenitude: ocupar o mesmo espaço que a vida. mas você, como todos os outros, está sempre ando, ando, ando. então você pára e olha pra lua: sempre lá. quieta, imponete, ela e a vida ocupam o mesmo espaço, a lua existe, a lua resiste, a lua, sem força e com total gravidade, é. por um momento você só quer a sua lua. o imutável em você. procura por ela.quer aprender a ser lua. quer ir alto, mais alto, porque acha que a sua essência está lá, no topo. não sabe que a procura não deve ser para cima, mas sim para dentro. evoluir não é subir escada reta e chegar ao céu. é descer uma escada espiralada e encontrar um centro."